Coordenação motora: como aprender a se sentar sozinho

Observar seu bebê começar a desenvolver sua independência pode ser empolgante! Ele também gosta desse processo, que o torna capaz de explorar o mundo ao seu redor sob uma perspectiva diferente.

Uma forma de o seu bebê começar a ganhar independência é aprendendo a sentar-se sozinho, mas isso não acontece da noite para o dia. Primeiro, uma série de etapas e a coordenação motora são necessárias para ele dominar essa habilidade.

Ser capaz de sentar-se ereto significa que o pescoço e os músculos das costas do seu bebê estão fortes o suficiente para sustentar seu peso nessa posição, e que ele tem controle da sustentação de sua cabeça.

Segundo a pediatra Melissa Goldstein, o desenvolvimento de um bebê começa da cabeça para baixo. Aos 4 meses de idade, os bebês podem sentar-se com o apoio de um cuidador ou de um móvel. Aos 5-6 meses de idade, a maioria deles consegue sentar-se sozinha em uma posição de tripé, em que posicionam as mãos no chão em sua frente para reforço. Aos 7 meses, eles provavelmente sentarão sozinhos por alguns segundos, sem apoio e com as mãos livres para explorar e agarrar os objetos ao seu redor. Nesse ponto, eles podem até ser capazes de se sentar deitando-se com a barriga para baixo e levantando-se com as mãos. Por fim, com 8 ou 9 meses, eles provavelmente conseguirão sentar-se sozinhos e permanecer nessa posição por algum tempo.

Sentar-se sozinho é um grande marco para os bebês, e o desenvolvimento dessa habilidade pode acontecer em níveis diferentes. Alguns podem sentar-se muito rapidamente, enquanto outros podem demorar um pouco mais, mas aqui estão algumas dicas que podem ajudar seu filho a desenvolver essa habilidade:

  • Prepare seu bebê para conseguir sentar-se, certificando-se de que ele fique de bruços e fortaleça seus músculos, movendo-os e esticando-os antes de completar 4 meses.
  • Coloque seu bebê de bruços, mostre a ele um brinquedo chamativo e incentive-o a alcançá-lo.
  • Quando você perceber que os músculos do seu bebê estão fortes o suficiente, sente-o no chão, certificando-se de supervisioná-lo, ou em seu colo, onde você sabe que ele estará seguro, e brinque com ele.
  • Quando seu bebê estiver pronto, ele poderá se sentar sozinho por alguns segundos. Quando isso acontecer, coloque-o sentado no chão, com almofadas ao seu redor para amortecer eventuais quedas. Você também pode colocar brinquedos na frente dele para que ele explore e se divirta!

Não se surpreenda se o seu bebê, que já domina a capacidade de se sentar, cair. Os bebês, às vezes, perdem o interesse em ficar eretos, ou se distraem e deixam o corpo cair. Lembre-se de que o desenvolvimento de cada bebê é diferente, por isso, não se assuste se seu bebê demorar um pouco mais para dominar essa habilidade. Pratique as dicas anteriores com frequência, mas em curtos períodos, para que seu bebê não fique estressado ou frustrado. Certifique-se de que seus músculos estejam fortalecidos, e lembre-se de sempre praticar no chão para evitar quedas de lugares altos.

 

 

A importância do desenvolvimento socioafetivo

Muitas vezes enfatizamos que o QI é um dos fatores mais relevantes para alcançar o sucesso e negligenciamos a inteligência emocional – o aspecto mais importante para um futuro promissor.

Nós temos a tendência de ignorar o desenvolvimento socioafetivo quando se trata de observar o desenvolvimento geral do nosso bebê. Analisamos de perto o desenvolvimento motor e nos preocupamos com seus futuros QIs. No entanto, a estabilidade emocional e a capacidade de controlar e detectar sentimentos são, indiscutivelmente, fatores mais determinantes para o sucesso.

Se esse argumento não lhe parece convincente, vamos recapitular um estudo que foi realizado há alguns anos. Em seu famigerado “teste do marshmallow”, Walter Mischel estudou a gratificação tardia com crianças de 4 anos de idade. As crianças receberam um marshmallow e foi dito a elas que poderiam comê-lo na mesma hora ou esperar até que o pesquisador voltasse 15 minutos depois – no segundo caso, elas receberiam outro marshmallow. Algumas crianças eram incapazes de controlar seus impulsos, enquanto outras, embora tivessem dificuldades e fechassem os olhos para evitar a tentação, eram capazes de esperar por sua recompensa. Estudos posteriores descobriram que o desempenho neste teste previa o sucesso no final do ensino médio com mais precisão do que seu resultado de QI na época. As crianças que conseguiram controlar seus impulsos, mais tarde, se saíram melhor em suas pontuações SAT (exame para admissão nas universidades americanas) do que aquelas que eram mais impulsivas. Elas eram mais conscientes e melhor adaptadas socialmente. Assim, toda a inteligência no mundo não será tão eficaz se uma criança não tiver inteligência emocional.

Existe uma área particular do cérebro que abriga nossos aspectos sociais e emocionais? O sistema límbico tem um grande conjunto de estruturas neurais que são moldadas tanto pela natureza quanto pela criação. O "temperamento" refere-se aos nossos traços emocionais inatos, e ele tende a evoluir, mas permanece praticamente estável durante o curso de nossas vidas. No entanto, o ambiente pode moldar nosso sistema límbico por meio das experiências e das interações sociais. Essa moldagem cria o que chamamos de “personalidade”. Foi observado que a emoção não é processada igualmente em ambos os lados do cérebro. O hemisfério direito do cérebro desempenha um papel mais importante na emoção, e essas variações na quantidade de atividade nos lóbulos frontais esquerdo e direito podem explicar pequenas diferenças no temperamento. Por que algumas pessoas têm personalidades negativas, enquanto outras parecem ser mais otimistas? Essas variações também se aplicam a comportamentos sociais, como uma personalidade tímida versus uma personalidade mais extrovertida. Essas diferenças são, em grande parte, genéticas, mas podem ser levemente moldadas na primeira infância. O córtex límbico se desenvolve lentamente, e é por isso que os bebês não sentem exatamente o mesmo que um adulto. Essa estrutura é mais madura até o período entre 6 e 8 meses de vida.

Existem outras partes do sistema límbico que demoram a se desenvolver, como as estruturas associadas ao armazenamento de memória. Isso explica por que a maioria dos bebês não se lembrarão de suas primeiras experiências. A memória e a emoção estão anatomicamente ligadas, e isso é explicado amplamente pela psicologia evolucionista. É benéfico se lembrar de algo emocionalmente impactante. Por exemplo, os bebês reconhecem rostos de pessoas que os machucaram, assim como os daquelas que os impactaram positivamente. Eles criam uma associação e, assim, aprendem a evitar certas pessoas e situações. Se houver uma inconsistência nessa fase de aprendizado, eles provavelmente não conseguirão desenvolver confiança e segurança emocional. Mesmo que a criança não se lembre conscientemente de uma situação dolorosa ou que lhe causou medo, seu sistema límbico inferior armazena essa emoção e a pessoa associada a ela. Isso é evolutivamente vantajoso para o desenvolvimento.

O desenvolvimento socioafetivo é fundamental e pode afetar o futuro. É por isso que é importante observá-lo e entender suas bases, a fim de aproveitar a possibilidade de moldar o sistema límbico por meio de uma criação sensível. O sistema límbico é a estrutura cerebral envolvida na motivação, nas emoções, no aprendizado e na memória, e leva em conta nosso temperamento inato e nossa personalidade moldável. Como mencionei antes, o sistema límbico também processa nossas memórias, e nossas emoções relacionadas a elas estão intrinsecamente ligadas. É um aspecto complexo do nosso desenvolvimento – que, desde a primeira infância, contém o início de quem somos.

Como estimular o cuidado nas crianças

No início da vida das crianças, vemos o início da compaixão, da empatia e do cuidado, mas para que essas qualidades resultem em pessoas totalmente éticas, os adultos precisam ajudá-las. Quando as crianças têm empatia pelos outros, elas se tornam mais propensas a serem mais felizes e bem-sucedidas no futuro, tendo relacionamentos mais fortes com as outras pessoas. É importante se esforçar para cultivar a preocupação das crianças pelos outros. A Escola de Graduação em Educação da Universidade de Harvard compartilhou algumas diretrizes para criar crianças carinhosas, respeitosas e éticas como parte de seu projeto “Tornando o cuidado algo comum”.

1. Esforce-se para desenvolver relacionamentos amorosos com seus filhos

Se você quer que seus filhos sejam cuidadosos e respeitosos, então trate-os dessa maneira! Cuide de suas necessidades físicas e emocionais, proporcione um ambiente familiar estável e amoroso, demonstre afeto, fale sobre as coisas que são importantes para eles e elogie seus esforços e realizações.

2. Seja um modelo moral forte

As crianças aprendem por observação, e repetem as coisas que veem em outros adultos que elas respeitam. Certifique-se de que você esteja praticando a honestidade, a justiça e o cuidado. Quando você perceber que deu um mau exemplo para o seu filho, é importante que você reconheça e trabalhe nisso!

3. Faça do cuidado com os outros uma prioridade

Mesmo que a maioria dos pais diga que seus filhos serem cuidadosos é uma prioridade, esse assunto não costuma ser frequentemente discutido em casa. Manter altas expectativas éticas nas crianças é uma ótima maneira de priorizar o cuidado, porque você as ensina a fazer a coisa certa mesmo quando é difícil, a honrar seus compromissos e a defender aquilo em que acreditam.

4. Ofereça oportunidades para praticar o cuidado e a gratidão

Estudos mostram que as pessoas que expressam regularmente gratidão aos outros têm maior probabilidade de serem prestativas, compassivas, generosas, felizes e saudáveis. É importante que as crianças pratiquem o cuidado com os outros e sejam gratas – por isso, incentive a expressão do seu apreço pelas pessoas que as cercam e contribuem para suas vidas.

5. Amplie o círculo de preocupação do seu filho

A maioria das crianças se preocupa com sua família e com os amigos mais próximos. O desafio é ajudar as crianças a terem empatia e se preocuparem com alguém de fora desse círculo, como as pessoas que moram em um país distante ou simplesmente o novo garoto da escola. Ajude seus filhos a serem conscientes de suas decisões e de como elas impactam a comunidade e o planeta, e incentive-os a refletir sobre as perspectivas e os sentimentos daqueles que podem estar vulneráveis ​​e precisando de um amigo.

6. Promova o pensamento ético e envolva-se em causas

As crianças são naturalmente interessadas em questões éticas. Conversar sobre elas e se envolver quando há uma oportunidade pode ajudá-los a aprender e crescer. Você pode ajudar seu filho a se tornar um pensador ético escutando-o e ajudando-o a pensar e a resolver seus próprios dilemas éticos. Incentive e dê oportunidades para o seu filho apoiar uma causa na qual ele esteja interessado.

7. Desenvolva a inteligência emocional

Ajude seu filho a desenvolver o autocontrole e a aprender a administrar seus sentimentos. Incentive-o a falar sobre seus sentimentos regularmente, aprendendo a identificá-los e a enfrentá-los de maneira produtiva. Se você perceber que seu filho está tendo problemas para identificar uma emoção em particular, como a frustração ou a tristeza, nomeie-a e diga por que ele está se sentindo assim.

Essas sete diretrizes são algo que todos nós podemos seguir e incentivar em casa. Se você procura por dicas mais específicas sobre como criar uma criança ética e cuidadosa, nós a incentivamos a ler o artigo completo do projeto “Tornando o cuidado algo comum”.

A natureza e os estímulos da coordenação motora

“Assim que seu bebê dominar suas habilidades de alcance, ele estará dando o primeiro passo para explorar o mundo físico”

O tempo que um bebê leva para desenvolver sua coordenação motora tem pouca relação com seu QI ou com seu desempenho cognitivo, desde que ele esteja dentro de uma faixa normal. As habilidades motoras envolvem muito mais do que apenas o movimento – elas permitem a compreensão do ambiente social e físico. Quando um bebê consegue dominar seus marcos motores, sua experiência se amplia e sua percepção do mundo melhora drasticamente. O desenvolvimento dessas habilidades vem acompanhado de uma sensação de independência, uma autoestima mais alta, maior crescimento muscular e melhor coordenação dos circuitos neurais.

O que causa esses desenvolvimentos? Acreditava-se que era apenas o trabalho da natureza, mas o estilo de criação também parece desempenhar um papel de reforço. É a combinação de uma sequência programada do amadurecimento neural com a consistência do exercício diário. O amadurecimento neuromuscular é natural, e seu ritmo determina essa progressão. Se não houver amadurecimento neuromuscular, a prática não influenciará o desenvolvimento. O córtex motor é uma das primeiras áreas do cérebro que apresenta atividade elétrica, mas demora um pouco para amadurecer completamente.

Assim que o seu bebê dominar suas habilidades de alcance, ele estará dando o primeiro passo para explorar o mundo físico. Na verdade, a capacidade de agarrar existe antes mesmo do nascimento, mas apenas como um reflexo, e desaparece aos 2 meses de idade. Os bebês entram nesta fase chamada de extensão fixa, que envolve uma extensão do braço, mas com os punhos completamente fechados. Normalmente, os bebês conseguem alcançar um objeto de maneira suave, precisa e controlada por volta do 4º ao 6º mês. Como essa habilidade é dominada? Há uma mistura entre as fibras corticoespinhais que inervam os braços e músculos, áreas corticais motoras, que inervam a mão, e a mielinização de fibras e a visão, que nos permitem alcançar um alvo com precisão. O planejamento límbico e motor também desempenha um papel, e é aqui que a experiência influencia no desenvolvimento dessa habilidade.

A tentativa de andar também tem um impacto na cognição do bebê. Ele experimentará um desenvolvimento cognitivo e social depois de dominar essa habilidade. No entanto, o bebê precisa ter desenvolvido estabilidade e força. O ato de andar envolve os geradores de padrão central (GCP) – uma rede que desencadeia a atividade muscular rítmica. Os GCP amadurecem precocemente e influenciam o reflexo de marcha, que está relacionado com a tentativa do bebê de dar um passo quando é mantido levantado com os pés tocando uma superfície plana. No entanto, o ato de andar requer um amadurecimento completo do sistema nervoso. As áreas do cérebro que controlam os movimentos das pernas são essenciais, assim como os sistemas sensoriais e motores que estão envolvidos no equilíbrio e na postura. O crescimento proporcional do bebê também proporciona maior facilidade ao se equilibrar. A prática é útil, pois, embora a medula espinhal e os GCP possam produzir um padrão, o córtex decide quando começar a andar e, então, ajusta os GCP para se adequar ao ambiente em que o bebê está tentando andar. Depois que o bebê domina a habilidade de andar, os primeiros passos estabilizam as vias corticoespinhais e outras vias do cérebro, que são necessárias para uma transição suave para caminhadas que se assemelham às dos adultos – a prática acelera esse processo! Estudos sugerem que os bebês que exercitam essa habilidade tendem a dominá-la antes dos que não a exercitam. A prática fortalece os músculos do bebê e ativa os caminhos neurais.

Assim, o desenvolvimento da coordenação motora é uma mistura entre a natureza e o estímulo. Os genes estabelecem quando essas habilidades podem começar a se desenvolver e, uma vez que o sistema nervoso estiver pronto, a prática fortalecerá esses circuitos, resultando em movimentos habilidosos e refinados.

Por que os bebês demonstram seus desejos por meio de movimentos repetitivos?

O equilíbrio, a habilidade para sentir e se ajustar à gravidade e perceber qualquer tipo de aceleração, é um sentido fundamental. Mas se esse sentido é tão fundamental, por que é frequentemente ignorado?

Conhecido como sistema vestibular, este sentido funciona abaixo do nível do córtex cerebral e, muitas vezes, não damos a ele a devida importância. O nervo vestibular é o primeiro trato da fibra no cérebro a iniciar a mielinização (um processo em que uma camada de gordura se acumula em torno das células nervosas, permitindo a transmissão de informações mais rapidamente para processos cerebrais complexos). Em apenas cinco meses de gestação, o aparelho vestibular está pronto, e as vias vestibulares dos olhos e da medula espinhal iniciam o processo de mielinização, para que todo o sistema funcione de forma eficaz.

Como esse sistema funciona?

A cóclea do sistema auditivo é parte de um labirinto que fica no vestíbulo do ouvido interno. Dado que o movimento consiste de rotações e transições, o sistema vestibular é composto tanto pelo sistema de canal semicircular (detectando a aceleração angular em três planos) quanto pelos otólitos (detectando a aceleração linear – movimentos gravitacionais e de translação). As células receptoras dos otólitos e dos canais semicirculares enviam sinais por meio das fibras nervosas vestibulares para as estruturas neurais que controlam o movimento dos olhos, a postura e o equilíbrio. O que é projetado a partir desta base anatômica do reflexo vestíbulo-ocular é essencial para uma visão precisa. Essas projeções para os músculos que controlam a postura também são necessárias para manter uma posição ereta. O cérebro obtém essa informação do sistema vestibular e da nossa capacidade de sentir a posição, a localização, a orientação e o movimento de nossos corpos para entender nosso movimento e nossa dinâmica.

Um sistema vestibular maduro permite que o feto seja capaz de sentir sua orientação em relação à gravidade e, então, virar-se na posição adequada. Existem vários reflexos que são aparentes no nascimento. A resposta assimétrica do pescoço ocorre quando os membros se ajustam para manter o equilíbrio, como virar a cabeça de um bebê para a direita enquanto ele automaticamente estende seu braço e perna direitos e flexiona os membros no lado esquerdo. A resposta de tração ocorre quando um bebê tenta manter a cabeça erguida quando está deitado e é puxado para cima, de modo a ficar sentado. O sistema vestibular está ciente do movimento para a frente da cabeça, e contrai os músculos flexores do pescoço, tentando levantá-lo. O reflexo “olhos de boneca” é a função vestibular mais clara, aparente nos movimentos oculares. Se um bebê move a cabeça para a direita, seus olhos permanecerão para a frente.

Os bebês anseiam por estimulação vestibular por meio de movimentos repetitivos como balançar e pular. Eles até fazem isso sozinhos, pulando e balançando a cabeça, aos 6-8 meses de idade. Estudos sugerem que a estimulação do sistema vestibular em bebês resulta em um desenvolvimento mais avançado dos reflexos e da coordenação motora. Essa estimulação também é benéfica em crianças pequenas; elas choram menos quando são embaladas ou mudadas de posição. A estimulação vestibular tem um profundo impacto no estado geral do bebê, resultando em um alerta geral maior. Este estado de alerta é ideal para aprender e absorver informações de forma eficaz. Na próxima vez que você sair para uma corrida, você apreciará esse sistema. Como sua percepção mudaria se correr fizesse você ver o mundo subindo e descendo?

Eliot, L. (ID: 1999 ). What’s going on in there. How the brain and mind develop in the first five years of life, 237-239.

A ciência por trás das risadas do seu bebê

O que o sorriso do seu bebê expressa sobre o seu desenvolvimento?

Você já brincou de esconde-esconde com o seu bebê? Qual é a sequência de compreensão do cérebro do seu bebê em que ele percebe que, mesmo que você não esteja no seu campo de visão, você ainda pode estar lá? Durante os primeiros meses da vida do seu bebê, o fato de você não estar à vista, não significa que você não está lá.

"Eye tracking" é um processo que se desenvolve por volta dos quatro meses de idade, período em que uma criança já é capaz de seguir os movimentos de um objeto com os olhos.

Entretanto, se você mostrar um objeto para uma criança, você pode estar interessado, mas a criança não estará consciente quando você a esconder porque ele não está ciente de que o objeto ainda existe. Por volta dos 4 e 8 meses de idade, os bebês desenvolvem melhor acuidade visual e mais desenvolvimento psicomotor controlado. Isso influencia que a criança atinja objetos, independentemente de quão ocultos estejam. Esta é uma indicação de que a criança começa a perceber que, mesmo que o objeto não esteja em vista, ele ainda está lá. Por volta dos 8 a 12 meses de idade, a memória se desenvolveu a ponto de lembrar o objeto. Se um objeto está completamente fora de vista, eles ainda procuram por ele. É exatamente por isso que eles gostam de brincar de esconde-esconde e adoram ser surpreendidos com um lenço para descobrir os objetos escondidos. A permanência de objetos é um processo de compreensão no qual eles sabem que um objeto ainda existe, mesmo que não possa ser tocado ou ouvido. Várias outras avenidas estão sendo desenvolvidas neste estágio, como vias visuais e motoras e a capacidade de capturar / alcançar objetos. Tudo isso é crítico para a permanência do objeto. O conceito de permanência do objeto é significativo no papel da teoria do desenvolvimento cognitivo – introduzida por Jean Piaget. Ele sugeriu que, durante esse estágio de desenvolvimento da coordenação motora, os bebês entendem o mundo através dos sentidos, como visão, paladar, tato e movimento. Os bebês começam a ser egocêntricos, eles não têm conceitos de um mundo existente separado do seu próprio ponto de vista e experiência. No entanto, eles adquirem esse conhecimento mais tarde. Este fato vem com uma ansiedade de separação de custos. A ansiedade de separação leva ao apego e à timidez que a criança experimenta em torno de pessoas desconhecidas. Por que isso acontece? O bebê começa a se sentir ansioso agora que se lembra de que sua mãe ou pai foi embora e se foi. A permanência dos objetos é fundamental, pois nos traz a capacidade de entender que os objetos que nunca vimos ainda existem. Por exemplo, sem nunca ter ido para a Itália, você sabe que existe uma Torre de Pisa. Cada vez que você começa a brincar de esconde-esconde com seu filho e ele responde com risadas, é um sinal de que você ganhou essa nova percepção. Risos e sorrisos são o modo como seu bebê tem que comunicar esses desenvolvimentos cognitivos. Essas formas de comunicação revelam que a criança entendeu os conceitos subjacentes a esses jogos. Eliot, L. (1999). Cada vez que você começa a brincar de esconde-esconde com seu filho e ele responde com risadas, é um sinal de que seu filho ganhou essa nova percepção. Risos e sorrisos são a maneira de o seu bebê comunicar esses desenvolvimentos cognitivos.

Estimulando a área visual do cérebro: natureza e criação

“A visão se tornará a lente através da qual seu bebê perceberá e aprenderá sobre as várias propriedades do mundo.”

Visão. Ela ocupa 30% do nosso córtex – o tato ocupa 8% e a audição, apenas 3%. Cada um dos dois nervos ópticos que transportam informações da retina para o cérebro consiste em milhões de fibras. É um dos aspectos mais sofisticados do desenvolvimento humano. Esse desenvolvimento ocorre muito rapidamente, dominando a experiência sensorial humana. Esse processo é crucial, e se tornará a lente através da qual seu bebê perceberá e aprenderá sobre o mundo.

Em primeiro lugar, como esse fenômeno ocorre? Os bebês nascem com uma experiência visual bastante limitada, mas essa conexão ocorre em duas fases.

A primeira fase desse desenvolvimento é trabalho da natureza, estabelecendo um mapa de conexões que ainda não estão refinadas. Grandes grupos de neurônios usam uma série de sinais moleculares programados para ajudar a guiar os axônios até locais próximos.

A segunda fase, no entanto, é influenciada pela criação. A estimulação visual do bebê gera atividade elétrica. Axônios vizinhos competem por espaço no mapa não refinado do cérebro e o processo de poda ocorre. Dependendo do tempo e do nível de atividade elétrica, os axônios perdem suas sinapses ou se conectam a alvos precisos. Esse processo evolutivo adaptativo é chamado de poda sináptica: as conexões mais "ajustadas" ou mais ativas que completam essa jornada são capazes de refinar com sucesso esse mapa grosseiro, transformando-o em uma representação mais precisa do espaço visual.

Existe um período crítico para o desenvolvimento visual? A visão é altamente maleável, especialmente nos dois primeiros anos de vida. O cérebro precisa de estimulação para fazer conexões adequadamente durante esse período de poda. Quando esse período termina, o córtex não consegue se religar drasticamente, não importa quanta estimulação seja aplicada. Uma habilidade visual particular começa quando as sinapses se formam inicialmente em seu circuito subjacente. Depois disso, está sujeita à modificação por meio da experiência somente se as sinapses tiverem passado pela fase de refinamento.

No entanto, dado que diferentes partes do sistema visual passam por refinamento em momentos diferentes, esse período de sensibilidade à recepção visual difere entre os indivíduos. A visão é altamente maleável até os dois anos de idade, e depois há um declínio até os oito ou nove anos.

Existe uma correlação entre experiências visuais e preferências visuais posteriores? Parece que sim. A maioria das pessoas que são criadas em “ambientes de carpintaria”, ou cercadas por prédios e casas retangulares, tem uma acuidade ligeiramente melhor para as orientações horizontal e vertical  do que, por exemplo, para orientações diagonais. Já os índios canadenses que foram criados em tendas, têm uma melhor acuidade para ângulos oblíquos do que aqueles criados em ambientes de apartamento ou casa. Então, há uma correlação entre esses fatores.

A experiência visual na primeira infância tem, de fato, um impacto duradouro na percepção e nos circuitos visuais conectados ao cérebro. Será que essa diferença sutil pode influenciar um bebê a se tornar um artista ou um jogador de futebol? É possível!

Eliot, L. (1999). What’s going on in there. How the brain and mind develop in the first five years of life, 237-239.

“Grit”: a melhor forma de prever o sucesso do seu filho

Como podemos preparar as crianças para terem sucesso? Em um mundo cada vez mais competitivo, muitos pais temem que seus filhos sejam deixados para trás se não crescerem tendo um alto QI e ou excelentes pontuações em testes, porque é isso que leva as pessoas ao sucesso, certo? Não é bem assim. Uma nova pesquisa mostrou que qualidades que importam mais do que os resultados de testes e os talentos têm a ver com o caráter. Uma característica específica que os psicólogos e educadores estão focando agora como um ingrediente-chave na felicidade e no sucesso é o “Grit”.

A ideia de “Grit” foi popularizada pela psicóloga Angela Duckworth, da Universidade da Pensilvânia. De acordo com Duckworth, “‘Grit’ é a disposição para perseguir objetivos de longo prazo com paixão e perseverança. É comprometer-se com as coisas a longo prazo depois de trabalhar duro nelas. ‘Grit’ é viver a vida como se fosse uma maratona, não um trajeto curto”.

Ensinar o “Grit” promove a resiliência e a perseverança. Em sua pesquisa, Duckworth argumenta que, mais do que tudo, a coragem é o que determina quem irá até a linha de chegada dos objetivos duros da vida, porque, apesar dos fracassos, das adversidades e do progresso lento, essas pessoas mantêm interesse e esforço.

A pesquisa mostra que, curiosamente, o “Grit” geralmente não está relacionado ou mesmo inversamente relacionado ao talento. E, ao contrário do QI (que é relativamente fixo), a coragem é algo que todos podem desenvolver! Então, se você teme que seus filhos não sejam corajosos o suficiente, não se preocupe: o “Grit” pode ser ensinado!

Claro, algumas crianças são naturalmente “mais corajosas” do que outras, mas existem várias coisas que você pode fazer para ajudar seu filho a desenvolver essa característica, o que o ajudará a ter sucesso em tudo que ele quiser realizar.

Como os pais podem incentivar o “Grit”?

Como foi constatado, o ambiente de aprendizado pode ser projetado para promover o “Grit”. Confira algumas dicas:

  • Desafios de boas-vindas:
    Um sentimento real de realização acontece quando você busca algo difícil, especialmente algo que requer disciplina, prática e esforço. Se seu filho nunca tiver a chance de conseguir algo difícil, ele nunca poderá desenvolver confiança em sua capacidade de enfrentar um desafio. Lembre-se de que assumir riscos é uma maneira importante de fazer as crianças aprenderem!
  • Promova a perseverança:
    Muitas pessoas acreditam erroneamente na ideia de que uma habilidade é natural, e que, se você é bom ou não em alguma coisa, é porque você nasceu ou não com ela. Essa crença é o que leva muitas crianças a desistirem das coisas porque as acham difíceis. Todo mundo tem que trabalhar para melhorar suas habilidades com a prática, até mesmo crianças naturalmente talentosas.
  • Crie tolerância para a frustração:
    Se seu filho estiver enfrentando algum obstáculo, resista à vontade dar a ele uma solução imediatamente. Primeiro, deixe que ele encontre uma forma de contorná-lo. Você deve estar sempre disponível, mas incentive-o a descobrir uma solução por conta própria primeiro. O sucesso é uma estrada geralmente cheia de obstáculos. Deixe-o navegar pelo próprio caminho.
  • Demonstre a resiliência por meio das falhas:
    Ser capaz de se recuperar do fracasso é uma das habilidades mais importantes que uma criança pode aprender. Embora seja difícil deixar que seu filho experimente o fracasso e a decepção, a longo prazo, essa será uma das habilidades mais valiosas que você poderá ensinar a ele! Resiliência é um ingrediente-chave do “Grit”: se você cair, levante-se. Você pode compartilhar suas próprias lutas, ou lidar com calma e determinação quando for confrontada. Mais importante ainda é mostrar aos seus filhos que o fracasso não é algo para se ter medo, mas uma das melhores maneiras de aprender sobre algo novo.
  • Desenvolva uma “mentalidade de crescimento”, concentrando-se no esforço, e não nas habilidades naturais:
    Nós falamos sobre “mentalidade de crescimento” e sua importância na aprendizagem em posts anteriores. Uma das coisas mais simples que os pais podem fazer para promover isso é ter muito cuidado com o modo como elogiam seus filhos – eles devem elogiar o esforço por um resultado, a fim de encorajar as crianças a superarem a dor e o fracasso.

Pratique o “Grit” e dê o exemplo aos seus filhos!

Se você quiser saber mais, confira a palestra TED de Angela Duckworth sobre a chave do sucesso: