Category Archives: Ciência do Desenvolvimento Infantil

A ciência por trás da baby talk (fala do adulto direcionada a uma criança)

Por que os adultos mudam a forma de falar quando estão próximos de um bebê?

Quando você está na companhia de crianças pequenas, sejam seus filhos, os de um amigo ou apenas um bebê fofo que está nos braços de uma mãe com quem você cruzou no café, você já deve ter experimentado um impulso automático e difícil de ignorar de conversar com a criança usando uma “voz de bebê” para dizer algo como “onde está o bebê?”. Além da ternura, existe algum benefício em falar dessa forma para o desenvolvimento socioafetivo ou linguístico do seu bebê?

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Perto do coração: o que é e quais as vantagens do babywearing?

É provável que você já tenha se deparado com os termos “baby wearing”, “canguru” ou “wrap sling”, já que eles parecem ter invadido as redes sociais, os blogs de maternidade e até mesmo a moda dos recém-nascidos.

Junto com esse aumento de popularidade, questões importantes podem surgir a respeito desse tema, como “o que é babywearing?”, “como uso um canguru?”, “os wrap slings são seguros?”, entre outras. Não se preocupe, pois, no post de hoje, vamos explorar algumas dessas questões, para que você possa decidir se é algo que você gostaria de tentar ou não.

De acordo com a ONG Babywear International, babywearing refere-se à prática de usar um “carregador de bebê” para manter o seu filho perto do seu corpo enquanto você realiza suas atividades diárias. Esse método de carregar o bebê ao longo do dia é um costume em muitas culturas nativas do México, do Peru, da Indonésia, etc., e tem se mostrado uma ferramenta segura e eficaz para muitos cuidadores ao longo dos séculos. Hoje, existem diversos tipos de “carregadores de bebês” no mercado, então, é possível encontrar opções para todos os gostos e bolsos.

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Como criar um ambiente que estimule a aprendizagem

Os cérebros dos bebês são como esponjas – eles absorvem constantemente os estímulos do ambiente, formando novas ideias. É assim que eles aprendem. De acordo com um estudo feito recentemente pela Universidade de Nova York, há algumas coisas que você pode fazer para criar um ambiente que estimule a aprendizagem.

O estudo monitorou um grupo de crianças desde o nascimento até a 5ª série, medindo a influência do ambiente familiar nos impactos no desenvolvimento cognitivo. Os pesquisadores descobriram que o ambiente de aprendizagem em casa desempenha um papel importante na formação das habilidades cognitivas e linguísticas das crianças. Eles descobriram que um bom ambiente de aprendizagem tem três características importantes: interações de qualidade entre pais e filhos, disponibilidade de materiais de aprendizagem e a participação das crianças nas atividades. Detalhamos a seguir cada um desses itens:

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A música pode beneficiar mais do que a leitura?

A música tornou-se uma parte natural do crescimento e do desenvolvimento infantil. Além de ter o poder de impulsionar a aprendizagem, ela demonstrou oferecer vários benefícios ao longo da vida. A música estimula todas as áreas de desenvolvimento e habilidades de uma criança, como as áreas cognitiva, socioafetiva, motora, linguística, e também a alfabetização. Expor seu filho à música desde cedo o ajudará a aprender os sons e os significados das palavras. Resumindo: a música ajuda a mente e o corpo a trabalharem juntos como uma equipe.

Conhecer os benefícios da música é importante para o desenvolvimento do seu filho – no entanto, isso não significa que você deva investir todo o seu dinheiro em coletâneas musicais, ou que deva matricular seu filho de 3 anos em aulas de violino. A música pode ajudar a estimular a inteligência e promover a felicidade das crianças, e fazer isso é mais simples do que você imagina: ao inventar músicas com o seu filho, você já estará contribuindo com o seu desenvolvimento.

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Ter um animal de estimação pode proteger seu bebê da obesidade e das alergias

Seja pela brincadeira ou companhia, os animais de estimação trazem muita alegria aos seus donos. Mas você sabia que os benefícios vão além do carinho e da diversão? Um novo estudo mostrou que ter animais de estimação em casa pode proteger os bebês das alergias e da obesidade!

No início, pode parecer difícil ter argumentos a favor, já que a maioria dos pais prefere manter seus filhos longe de animais de estimação peludos, como cães e gatos, para evitar alergias e espirros. No entanto, uma pesquisa conduzida pelo Departamento de Pediatria da Universidade de Washington descobriu que o oposto é verdadeiro.

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Por que os bebês do sexo masculino são mais vulneráveis ​​ao estresse?

Como sabemos agora, os cérebros dos bebês são muito vulneráveis, especialmente durante os primeiros meses de vida.

Ao contrário do que se pensava, cada ação que realizamos como pais tem um grande impacto – positivo ou negativo –  sobre nossos filhos. Já tem algum tempo que identificamos uma hipótese incorreta sobre o desenvolvimento dos bebês, e isso explica por que educamos os bebês do sexo masculino de maneira diferente. As diferentes culturas e religiões também influenciaram a forma como educamos nossos filhos. Nós elaboramos ideias sobre como deveríamos tratar a educação dos nossos filhos, e temos sido mais duros com os meninos, pois pensamos que o carinho ou a atenção podem deixá-los mimados. No entanto, a verdade é que todos os bebês, inclusive os meninos, precisam de atenção e afeto para crescer e se desenvolver de forma saudável.

Dr. Allan N. Schore, um cientista clínico da UCLA especializado em apego e no desenvolvimento do cérebro, pesquisou o desenvolvimento neurobiológico e neuroendócrino de bebês do sexo masculino. Schore (2017) explica por que os bebês do sexo masculino ficam mais vulneráveis ​​do que os do sexo feminino quando se deparam com ambientes estressantes ou com pais que não são atenciosos e carinhosos. Segundo ele, os cérebros dos meninos amadurecem mais lentamente em quase todas as áreas, incluindo áreas sociais, físicas e linguísticas. Além disso, os circuitos de seus cérebros que regulam o estresse amadurecem mais lentamente e possuem menos mecanismos integrados para promover a resiliência contra o estresse. Essas são algumas das razões pelas quais as experiências da primeira infância influenciam mais os meninos do que as meninas.

Além disso, estudos mostraram que os bebês do sexo masculino são mais vulneráveis ​​à falta de atenção, ao estresse pré-natal e à separação da mãe logo após o seu nascimento. Essas situações estressantes afetam negativamente as áreas do cérebro relacionadas ao autocontrole e à socialização. Outro ponto destacado foi que os bebês do sexo masculino demonstram uma reação maior a estímulos negativos, e apresentam níveis mais altos de cortisol ao nascer. Schore menciona outro estudo que mostra que os bebês do sexo feminino conseguem regular seus estados afetivos melhor que os do sexo masculino. Isso significa que os bebês do sexo masculino podem ser ainda mais afetados por um ambiente estressante e ou um cuidado indiferente (sensibilidade ou resposta materna menor que a ideal).

Podemos concluir que, como os cérebros dos meninos amadurecem mais lentamente do que os das meninas, eles são muito mais vulneráveis ​​a distúrbios do desenvolvimento, como o autismo e o TDAH. Isso não significa que não devamos nos preocupar com as meninas, já que todos os bebês precisam de carinho e cuidado responsivo – pelo contrário: este é um chamado para tratarmos todos os bebês com sensibilidade e afeto, já que isso pode promover a saúde do desenvolvimento socioafetivo dos bebês.

Cultive a criatividade através da liberdade

É o sonho de qualquer pai ou mãe que o filho aprenda a ler aos 2 anos, a tocar piano aos 4, a aprender matemática aos 6, e a falar dois idiomas fluentemente aos 8 anos. Todos os pais e colegas teriam inveja de uma criança tão talentosa.

Entretanto, as crianças prodígio não necessariamente se tornarão gênios que irão revolucionar o mundo. Nós assumimos que isso acontece porque elas não têm habilidades socioafetivas e, portanto, não podem ser tão bem-sucedidas. No entanto, evidências sugerem o contrário – na verdade, menos de 25% das crianças prodígio sofrem de algum problema relacionado à área socioafetiva. A maioria delas tem vida normal. Então, o que as impede?

Elas não aprendem a ser originais. A maioria dessas crianças está constantemente buscando a aprovação de seus pais e a admiração de seus professores. Elas crescem e se apresentam em concertos de prestígio, mas ainda falta alguma coisa. O que acontece é que a prática aperfeiçoa, mas não traz nada novo.

Essas crianças aprendem a tocar Mozart e Bach, mas raramente compõem suas próprias músicas. Sua energia está tão concentrada em consumir o conhecimento existente, que não produzem novas ideias. Estudos indicam que as crianças mais criativas são as menos propensas a se tornarem as favoritas dos professores – por isso, é comum que elas guardem suas ideias para si.

Ao crescerem, muitas dessas crianças prodígio se tornam especialistas em suas áreas e líderes em suas organizações, mas apenas algumas delas se tornam criadores revolucionários – diz a psicóloga Ellen Winner.

Então, o que torna uma criança criativa? Um estudo comparou as famílias de crianças que foram classificadas entre as 5% mais criativas de suas escolas com aquelas que não eram tão criativas. Os pais das crianças "comuns" tinham, em média, 6 regras da casa, além de uma programação específica com horários para o dever de casa e para dormir. Os pais das crianças mais criativas tinham 1 regra ou menos em casa.

A criatividade é difícil de cultivar, mas fácil de ser inibida. Ao limitar as regras, os pais inspiram os filhos a pensar por si mesmos. "Eles tendem a se concentrar mais em valores morais do que em regras específicas", diz Teresa Apabílela, psicóloga de Harvard.

Quando Teresa comparou os arquitetos mais criativos da América com um grupo de colegas com muita competência, mas pouca originalidade, percebeu algo único sobre os arquitetos mais criativos: seus pais enfatizaram o desenvolvimento de um código de ética individual. Isso não significa que seus pais não tenham incentivado a busca da excelência e do sucesso, mas que também os encorajaram a encontrar alegria no trabalho. Seus filhos tiveram liberdade para descobrir seus próprios interesses e escolher seus próprios valores. Isso os preparou para florescer como adultos criativos.

Outro estudo, conduzido pelo psicólogo Benjamin Bloom, em que as raízes de vários artistas, atletas, músicos e cientistas renomados foram investigadas, mostrou que seus pais não sonhavam que seus filhos fossem grandes estrelas. Ao invés disso, eles respondiam à motivação intrínseca de seus filhos, incentivando-os quando eles demonstravam interesse por alguma habilidade. O mesmo aconteceu com pianistas reconhecidos – eles não tinham professores renomados desde cedo, suas primeiras aulas foram dadas por professores que moravam perto, mas que tornaram a aprendizagem divertida.

Mozart demonstrou interesse pela música muito antes de ter aulas de piano, não o contrário.

Malcolm Gladwell propôs uma nova perspectiva sobre “a regra das 10.000 horas”, sugerindo que o sucesso depende do tempo despendido com a prática. Mas duas questões foram negligenciadas:

  1. Será que a prática não pode nos cegar para maneiras de melhorar nossa área de estudo? Pesquisas sugerem que, quanto mais praticamos, mais nos tornamos presos em um modo de pensar.
  2. O que motiva as pessoas a praticarem uma habilidade por milhares de horas? A resposta é a paixão – que é descoberta por meio de uma curiosidade natural ou nutrida a partir de experiências agradáveis. As evidências mostram que as contribuições criativas dependem da amplitude, e não apenas da profundidade do conhecimento e da experiência.

Você não pode programar uma criança para ser criativa – se quiser que seus filhos tragam ideias revolucionárias para o mundo, deixe que eles sigam suas próprias paixões.

O toque amoroso e os seus benefícios a longo prazo

Você já se perguntou por que pegar seu bebê no colo parece a coisa mais instintiva do mundo? O motivo é que estamos programadas para isso; é o nosso instinto materno em ação. Ao nascer, os bebês são muito vulneráveis: eles possuem uma visão limitada e uma audição subdesenvolvida. Isso significa que o toque é a maneira como seu bebê explora o mundo durante suas primeiras semanas de vida, enquanto desenvolve os outros sentidos.

Sabemos que o toque é importante para o desenvolvimento dos bebês, mas ele é tão fundamental assim?

Em um estudo recente realizado por Nathalie Maitre e seus colegas do National Children’s Hospital e do Vanderbilt University Medical Center, as respostas cerebrais de 125 bebês (incluindo bebês prematuros e não-prematuros) foram medidas, e foi demonstrado que as primeiras experiências dos bebês com o toque produzem efeitos duradouros na forma como seus cérebros respondem ao contato físico carinhoso.

Os resultados mostraram que os bebês prematuros tiveram uma resposta cerebral ao toque suave reduzida quando comparados aos bebês não-prematuros. No entanto, os bebês prematuros das Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais  tiveram uma resposta cerebral mais forte ao toque quando passaram mais tempo em contato com seus pais ou com profissionais de saúde.

“Garantir que os bebês prematuros recebam um toque amoroso, como o contato pele a pele com seus pais, é essencial para ajudar seus cérebros a responder ao toque suave de forma semelhante aos bebês não-prematuros, que passaram mais tempo no útero de suas mães”, diz Nathalie Maitre.

Assim, os pais de bebês que precisam enfrentar procedimentos médicos complicados devem se lembrar que o toque é mais importante do que aparenta. Não perca nenhuma oportunidade de pegar o seu bebê no colo, abraçá-lo ou fazer carinho nele.

Outro estudo realizado pela Dra. Ruth Feldman, professora da Bar-Ilan University, e seus colegas, investigou o impacto de diferentes níveis de contato físico em bebês prematuros.

“Este estudo de uma década mostrou, pela primeira vez, que o contato pele a pele com recém-nascidos prematuros no período neonatal melhora o funcionamento de alguns sistemas do cérebro. Após 10 anos, foi detectado que, ao serem privados do contato materno precoce, alguns dos seus sistemas cerebrais não se desenvolveram da mesma forma”, disse Feldman.

Em comparação com as crianças que receberam o cuidado padrão da incubadora, as crianças do grupo “método canguru” (método em que a criança mantém contato pele a pele com um adulto, normalmente a mãe ou o pai) demonstraram melhores habilidades cognitivas e executivas em testes repetidos desde os 6 meses até os 10 anos de idade.

Quando completaram 10 anos, as crianças que tiveram o contato materno utilizando o método canguru estavam mais saudáveis em todas as métricas, apresentando:

1. Padrões de sono mais regulares;
2. Melhor resposta neuroendócrina ao estresse;
3. Maturidade do funcionamento do sistema nervoso;
4. Melhor controle cognitivo.

Ambos os estudos nos lembram das consequências a longo prazo do toque e do contato dos pais. O nível de estimulação proporcionado pelo contato pele a pele parece influenciar o desenvolvimento do cérebro e fortalecer os laços afetivos entre pais e filhos.

Os bebês que atingiram os marcos do desenvolvimento mais cedo serão beneficiados no futuro?

Os marcos do desenvolvimento costumam ser uma fonte de estresse para os pais de primeira viagem, particularmente se eles se concentram demais em conferir os itens de uma lista de desenvolvimento, ao invés de simplesmente aproveitarem a jornada magnífica de crescimento de seus filhos.

Para os pais, presenciar o momento em que seu bebê atinge um marco de desenvolvimento é emocionante, seja a primeira vez em que ele sorri, rola, balbucia ou engatinha. Muitas vezes comparamos os marcos alcançados e o progresso do nosso filho com o de um irmão, primo ou amigo. Para alguns pais, isso acaba trazendo tranquilidade em relação ao desenvolvimento dos seus filhos, enquanto, para outros, é uma fonte de preocupação.

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Ficar descalço é melhor para os bebês. Entenda!

Não há nada mais impressionante do que observar os bebês extasiados enquanto exploram o mundo ao seu redor pela primeira vez. A alegria e a emoção preenchem seus sentidos quando eles experimentam a novidade e desenvolvem uma conexão profunda com o ambiente e com eles mesmos.

Independentemente da sua posição sobre esse assunto, deixar seu filho descalço em ambientes externos pode lhe trazer muitos benefícios.

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