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Atenção compartilhada: o que é e por que é tão importante?

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Envolver-se em esforços de atenção compartilhada é uma das maneiras mais fáceis de criar laços afetivos com o seu filho e, ao mesmo tempo, estimular o desenvolvimento dele.

Quando seu filho aponta para um objeto – por exemplo, para uma flor ou para a tela da televisão – e diz “Papai, olha! Veja isso!”, ele está propondo algo que os psicólogos infantis chamam de “Atenção Compartilhada” ou de “Atenção Conjunta”.

O que é atenção compartilhada?

A atenção compartilhada é o momento em que um dos pais e o filho compartilham e coordenam sua atenção em um determinado objeto, evento ou estímulo. A coordenação é o segredo. Apontar para um objeto com o objetivo de solicitá-lo (por exemplo, pedir para a mãe pegar um copo) é diferente de apontar, olhar, balançar a cabeça ou focar em um objeto para alertar os pais da existência dele (por exemplo, apontar para um cachorro à distância). O mais importante na atenção compartilhada é a criança e o adulto terem a noção de que ambos estão com a atenção focada na mesma coisa.

A atenção compartilhada ocorre quando a criança e o adulto estão concentrados na mesma coisa e ao mesmo tempo, com o propósito de ver, admirar ou nomear o objeto. Podemos dizer que essa é uma das primeiras formas de comunicação principais entre seu filho e você. O que vocês estão dizendo um ao outro são coisas como: “Uau, olhe isso!”, “Veja como isso funciona!”, “Veja como isso é macio!”.

As crianças normalmente começam a se envolver em tentativas de atenção compartilhada por volta dos 3 a 12 meses. Normalmente acontece dessa maneira: seu filho olha para alguma coisa, aponta para ela e, em seguida, olha para você. Mas a iniciativa também pode partir do adulto. Pais e professores praticam a atenção compartilhada o tempo todo ao brincar com as crianças, alimentá-las ou fazer uma associação entre um novo objeto e seu nome.

Há duas “categorias” de atenção compartilhada. A primeira é a resposta à oferta (ou atenção espontânea dos outros), que acontece quando as crianças seguem a direção do olhar e dos gestos de seus pais ou professores, compartilhando um ponto comum de referência. A segunda é quando as crianças têm a iniciativa, fazendo gestos e contato visual para direcionar a atenção do outro para um item ou algo específico, esperando despertar interesse ou experiências com outras pessoas.

Habilidades relacionadas à atenção compartilhada

Como mencionamos, anteriormente, a atenção compartilhada é mais do que apenas olhar para um objeto, pois implica em diferentes habilidades que seu pequeno está adquirindo, como:

  • Guiar e auxiliar outra pessoa;
  • Alternar o olhar entre pessoas e objetos;
  • Compartilhar emoções com outra pessoa;
  • Seguir a direção para a qual alguém está apontando e olhando;
  • Capturar a atenção de outra pessoa para objetos ou eventos para compartilhar experiências.

A importância da atenção compartilhada

Estabelecer a atenção compartilhada é importante para o desenvolvimento posterior das habilidades sociais, cognitivas, linguísticas e de aprendizagem das crianças. Sem essas habilidades, pode ser difícil para os pequenos desenvolver relacionamentos – ou interagir – com sua família e colegas, já que são habilidades relacionadas com interações sociais com pessoas ao redor deles.

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A atenção compartilhada é um dos primeiros marcos do desenvolvimento que, mais tarde, irá permitir que a criança tenha interações sociais e entenda o ponto de vista de outra pessoa, como parte da teoria da mente.

Estágios da Atenção Compartilhada

Os psicólogos do desenvolvimento dividem a atenção compartilhada em três níveis distintos que vão ficando cada vez mais complexos à medida que os bebês crescem.

  1. Atenção Compartilhada Focada: Durante essa fase, tanto o adulto quanto a criança olham para o mesmo objeto, mas sem executar uma interação significativa. Geralmente ocorre entre os 3 e os 6 meses de idade.
  2. Atenção Compartilhada Diádica: Passando a primeira fase, pais e filho começam a utilizar gestos, expressões faciais e palavras enquanto se concentram no objeto. Isso é fundamental para o desenvolvimento de marcos do desenvolvimento como a imitação, referência social e primeiras interações, entre outros “blocos” importantes para a construção de habilidades linguísticas e cognitivas.
  3. Atenção Compartilhada Triádica: Quando a criança tiver adquirido habilidades cognitivas e linguísticas suficientes, ela entrará no terceiro e último estágio da atenção compartilhada. Nesse momento, tanto os pais quanto o filho interagem com o objeto, sabendo que ambos estão envolvidos na interação simultaneamente.

Você pode estimular a atenção compartilhada do seu bebê interessando-se ativamente por tudo em que ele estiver prestando atenção. A hora de brincar, de fazer atividades de desenvolvimento, de ler histórias e até mesmo os momentos de tarefas diárias, como cozinhar ou limpar a casa, podem ser ótimas oportunidades para envolver-se em interações significativas. Não se preocupe muito com o “como” da execução da atenção compartilhada; isso é algo que acontecerá naturalmente com o tempo. O mais importante é que você continue tendo interações positivas e amorosas com o seu pequeno!

Como a atenção compartilhada se desenvolve em bebês? 

O desenvolvimento da atenção compartilhada, assim como o crescimento do seu bebê, é dividido em diferentes etapas. O primeiro passo é a descoberta de objetos no ambiente. Nos primeiros meses de vida de um bebê, as interações com seus cuidadores geralmente se dão muito perto do rosto, sem o uso de objetos do ambiente. Depois de algum tempo, os objetos tornam-se parte dessa comunicação, levando a interação à forma “triádica”. Para alcançar a atenção compartilhada, primeiro os bebês precisam se interessar por objetos, então tente incentivar seu pequeno mostrando a ele diferentes itens na sua casa.

Contudo, uma das primeiras habilidades de atenção que o bebê desenvolve é a modalidade visual, o que inclui seguir o olhar de alguém, virar a cabeça e apontar. Essa modalidade visual passa por diferentes passos. Aos dois ou três meses, os bebês começam a seguir a atenção ou dicas que os adultos dão de maneira geral, movendo a cabeça para ver o que acontece em volta deles. Depois, entre seis e oito meses, os bebês podem localizar com precisão um objeto ou evento no ambiente. Por volta dos doze meses, eles são capazes de apontar e entender o significado daquela ação. Finalmente, entre doze e quinze meses, a maioria dos bebês consegue localizar o alvo para o qual alguém está apontando.

Como eu posso desenvolver essas interações com meu bebê?

  • Pratique a atenção compartilhada como parte da sua rotina, incentivando o seu pequeno a mudar o foco de atenção do que ele está fazendo para o que você está mostrando a ele;
  • Brincar com bolhas é uma atividade excelente para praticar a atenção compartilhada e habilidades de comunicação com seu filho;
  • Aponte e use gestos ao se comunicar com ele. Por exemplo, durante a leitura, você pode apontar para as figuras no livro;
  • Quando seu bebê tiver alguns meses de vida, tente usar itens que ele gosta para incentivar o interesse em objetos;
  • Escolha atividades que incluam revezamento, assim seu filho terá que alternar o foco de atenção;
  • Completem uma atividade juntos, como um projeto do tipo “faça você mesmo”, e tente desenvolver contato visual com seu filho durante a atividade;
  • Dê ao seu pequeno instruções fáceis de seguir. Quando você pedir para ele fazer algo para mudar o foco de atenção, tente usar poucas palavras, assim é mais fácil para ele prestar atenção e entender o que você está dizendo.

E se eu perceber que meu filho não está compartilhando atenção? 

Lembre-se de que cada criança se desenvolve em seu próprio ritmo. Algumas crianças podem demorar um pouco mais para desenvolver essa habilidade. Como dissemos, é algo que irá acontecer naturalmente. Entretanto, como a atenção compartilhada é importante para o desenvolvimento social, cognitivo e linguístico, às vezes, a ausência persistente da atenção compartilhada em crianças – combinada com outros indícios – pode ser um sinal precoce de autismo ou alguma desordem nesse espectro. Por isso, fique de olho nas habilidades de atenção do seu pequeno.

Lembre-se de que você pode experimentar as atividades que listamos acima caso queira incentivar ou checar a atenção compartilhada do seu bebê, mas fazê-las não é uma regra. Em caso de preocupações com a ausência de atenção compartilhada ou de dúvidas sobre o assunto, consulte o seu pediatra.


María Mirón é uma pesquisadora de psicologia com mestrado em Psicologia Clínica. Com mais de oito anos de experiência, publicou e participou de diversos fóruns internacionais sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância. Atualmente, é professora de métodos de pesquisa na Universidade de Monterrey. Sua missão é trazer a ciência do Desenvolvimento na Primeira Infância para ferramentas práticas para os pais.

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