Inúmeros desafios aparecem na hora de amamentar, principalmente se você é mãe de primeira viagem. Como amamentar na posição correta? Quando devo trocar o bebê de peito? Como impedir que meu mamilo seja machucado?

Amamentar seu bebê envolve aprender uma nova habilidade, e isso requer paciência e prática. Você pode até ter que esperar alguns dias antes que a produção de leite esteja estabelecida. Por isso, não se preocupe se o seu leite não aparecer no início — quando seu “reflexo de ejeção” ou de “descida” do leite for ativado, sua produção vai aumentar.

Quer saber mais sobre como amamentar da melhor forma possível? Quer entender as vantagens da amamentação para você e seu filho? Confira então o artigo que preparamos para você!

Quais são os benefícios do aleitamento materno para meu bebê?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que os bebês devem se alimentar exclusivamente de leite materno até os seis meses de idade. Após a introdução alimentar, que deve ser feita depois desse período, a criança pode receber o leite de forma complementar até os dois anos.

Amamentar seu filho traz inúmeros benefícios. Esse cuidado consegue prevenir doenças e garantir um desenvolvimento saudável, fazendo-o crescer e ficar forte. Bebês amamentados pela mãe contraem, em geral, menos doenças e precisam ir menos ao pediatra.

O leite materno é capaz de prevenir alergias alimentares, pois contém imunoglobulinas que protegem o intestino dos pequenos. Esses anticorpos também atuam fortalecendo o efeito das vacinas aplicadas na criança. O leite da mãe também é capaz de prevenir infecções, já que até os dois anos a criança não consegue combatê-las sozinha.

Fonoaudiólogos alertam sobre esse momento entre mãe e bebê: outra vantagem é sobre o movimento de sucção da hora da mamada, responsável por colaborar na formação da musculatura da boca e posteriormente para a habilidade de fala. Outras regiões da face da criança são estimuladas como mandíbula, maxilar e dentes.

Outro ponto relevante a ser considerado se refere à sensação de saciedade experimentada pelo bebê. Durante a amamentação, o leite que o pequeno retira contém quantidades variadas de gordura, sendo que ao final há mais gordura, aumentando a sensação de saciedade da criança, sendo um sinal para que ele pare de mamar. Já as mamadeiras e fórmulas especiais permanecem com seus níveis de gordura constantes. Assim, eleva-se o risco de o bebê não querer parar de mamar por não se sentir saciado.

Por fim, é relevante pontuar que o leite materno contém substâncias capazes de favorecer e estimular o desenvolvimento neuronal das crianças. Já parou para pensar que amamentando seu filho você está fazendo com que ele se torne mais inteligente?

Quais são as vantagens para a mãe que amamenta?

São evidentes os ganhos proporcionados pelo aleitamento materno para os filhos. Mas será que as mães também se beneficiam nesse processo? Sem dúvidas, os ganhos são significativos para as mamães que enfrentam essa montanha-russa de hormônios.

Regulação de hormônios

A amamentação auxilia o corpo da mãe a regular novamente seus níveis de hormônios. Isso colabora para a expulsão da placenta e previne as contrações que podem ocorrer depois do parto. Ela também estimula a liberação de prolactina, hormônio responsável pela produção de leite, e de ocitocina que expele o leite para fora. Esse processo que ocorre traz uma sensação de tranquilidade e prazer.

Perda de peso

Outro auxílio se dá em relação à perda de peso. As mães ganham peso na gravidez e depois podem ter dificuldades para eliminar os quilinhos a mais. A amamentação pode colaborar, já que há um gasto energético significativo nesse gesto. São entre 200 e 500 calorias perdidas por dia pelas mães que amamentam. Sem contar que seu filho ganha peso e não corre o risco de ficar desnutrido.

Contracepção

Durante os seis primeiros meses em que a mãe está amamentando, ela pode sofrer com os efeitos da amenorreia lactacional. Esse é um método contraceptivo natural, pois com a sucção feita pelo bebê, o hipotálamo da mãe pode não estimular o ciclo da ovulação. Mas tenha cuidado! Não é garantido que a mãe não vá ovular e se você quiser realmente se assegurar da contracepção, é melhor recorrer a combinação de outros métodos.

Vínculo

O vínculo estabelecido entre a mãe e filho durante a amamentação é único e especial. Ao nascerem, os bebês enxergam somente curtas distâncias e o espaço entre o seio e o rosto da mãe é perfeito para o reconhecimento facial pelo bebê. O contato entre a pele de ambos também fortalece o vínculo e traz benefícios para o desenvolvimento infantil.

Prevenção de doenças

Estudos comprovam que as mães que amamentam têm menos risco de desenvolver o câncer de mama ou de morrer por causa da doença. A proteção é proporcional ao tempo em que amamentaram e é cumulativa, considerando o tempo que se dedicou a cada filho, e também. Além de prevenir o acometimento, essas pesquisas indicam que, mesmo dentre as mulheres com câncer de mama, aquelas que amamentaram por mais de seis meses apresentam um risco três vezes menor de morrer. Ademais de ser um ato de amor por seu filho, essa atitude pode salvar sua vida!

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Por fim, cabe ressaltar que amamentando seu filho de forma natural, você economiza o dinheiro que teria investido na compra de fórmulas e mamadeiras. Pode ser uma economia muito bem-vinda nesse momento de numerosos gastos extras, não acha?

O que devo fazer para começar?

Comece respirando fundo e deixe seu corpo o mais relaxado e confortável possível. Tente deixar as coisas acontecerem espontaneamente, pois isso promoverá o relaxamento e ajudará seu bebê a sentir-se calmo também. Escolha a posição que você deseja amamentar. Você pode ficar sentada em uma cadeira confortável ou deitada, contanto que você e seu bebê estejam confortáveis.

Há muitas maneiras de segurar o seu bebê, como:

  • “posição tradicional”: sente-se confortavelmente, apoie a cabeça do seu bebê na dobra do seu braço, e deixe o corpo dele todo de frente para você;
  • “posição transversal”: segure-o com o braço oposto ao peito com o qual você irá amamentá-lo, e posicione-o de frente para você;
  • “posição invertida”: segure ele como se estivesse carregando uma bola de futebol, colocando-o debaixo do seu braço e apoiando sua cabeça com a sua mão;
  • “deitada de lado”: deite-se e use o braço ou o antebraço para manter a cabeça do seu bebê junto ao seu peito.

Seja qual for a posição escolhida de como amamentar, certifique-se de que todo o corpo do seu bebê esteja voltado para o seu. Tomando esse cuidado, você evita possíveis problemas como a lesão do mamilo, dificuldades de sucção do bebê, diminuição da produção de leite, entre outros inconvenientes.

Como amamentar com sucesso: passo a passo

1. A acomodação

Acomode-se em sua posição favorita, certificando-se de que você tenha um bom apoio nas costas, nos braços e nos pés. Incline-se ligeiramente para trás, para que o seu corpo ajude a segurar o bebê, e o peso dele não seja colocado apenas no seu antebraço.

2. O bebê

Coloque o seu bebê perto do peito, em direção à sua aréola (pele escura ao redor do mamilo) para que ele esteja vendo o seu peito de frente. Cuidado! Se o bebê abocanhar somente o mamilo, poderá causar machucados.

3. A posição

O nariz e o queixo do seu bebê devem estar posicionados em frente à aréola. O queixo da criança deve encostar na mama para que ele possa movimentar a língua da forma adequada. Se desejar, aperte o peito para que o seu bebê agarre a aréola mais facilmente. Da mesma forma, é aconselhável segurar seu peito com a mão livre para dar apoio extra e evitar que o bebê o puxe para baixo.

4. A ajuda

Quando seu bebê abrir a boca, ajude-o a se aproximar do peito, para que ele encontre o caminho para a aréola. Se ele não abrir a boca, toque-o delicadamente nos lábios ou na bochecha, com o seu dedo ou com o mamilo, para despertar o reflexo de sucção. É importante garantir que seu bebê agarre o peito corretamente, para evitar que os seus mamilos fiquem secos e rachados. Para certificar-se de que a pega está correta, verifique se a boca do seu bebê se fecha ao redor de toda a aréola, e se o seu o mamilo está apontado para o céu da boca dele.

5. A “pega” correta

Quando seu bebê se agarrar ao seu peito, ele irá começar a sugar. Inicialmente, pode levar de 60 a 90 segundos de sucção até que o leite comece a fluir — nesse momento, talvez você sinta um pouco de dor, já que a sucção de um bebê é surpreendentemente forte.

No entanto, a dor inicial deve diminuir após os primeiros minutos. Se você sentir dor aguda conforme a sucção continua, separe o seu bebê do seu peito e reposicione-o. Para fazer isso, espere até ele parar e, em seguida, deslize o seu dedo entre os lábios e as gengivas do seu bebê. Não separe o seu bebê do seu peito sem que sucção tenha parado, pois ela é muito forte e pode lhe machucar!

6. A alternância

Assim que seu bebê começar a receber seu leite, a amamentação terá começado. Certifique-se de oferecer os dois peitos em cada mamada, mas deixe-o mamar o quanto quiser antes de oferecer o outro peito. Dessa forma, você vai garantir que ele ingira tanto o leite anterior quanto o posterior (que contém mais gordura e calorias).

Quando você perceber que a sucção diminuiu e sentir seu peito mais macio, retire-o do peito, faça-o arrotar e ofereça a ele a outra mama. Não se preocupe se ele não quiser mais, pois os bebês têm uma incrível capacidade de reconhecer seus sinais de fome e saciedade. Apenas lembre-se de alternar seus peitos em cada mamada para garantir que ambos sejam estimulados.

Se a amamentação foi bem-sucedida, parabéns! Se não, lembre-se de que dominar a arte de como amamentar requer prática. Não se sinta mal se você ainda não conseguiu — da próxima vez, experimente posições diferentes para ver com qual delas você se sente mais confortável. Se você achar que ainda tem dificuldades mesmo depois de praticar e experimentar posições diferentes, entre em contato com o seu médico.

Uma ressalva importante que precisa ser feita é quanto aos perigos da amamentação cruzada. O leite materno é muito importante para o desenvolvimento do bebê, mas quando ele é feito por outras mães pode ocasionar a transmissão de doenças infectocontagiosas. A melhor solução para as mães que não podem amamentar é buscar o banco de leite, onde é feito todo um processo de tratamento e adequação que garante a eliminação do risco.

Muitas são as dúvidas que surgem sobre como amamentar. É um processo íntimo que requer cuidado e disposição, mas os ganhos tanto para a mãe quanto para o bebê são importantíssimos. Ter acesso às informações sobre a maternidade e o desenvolvimento saudável de seu pequeno é um meio poderoso de auxílio para as mães nesse momento.

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