Ficar descalço é melhor para os bebês. Entenda!

Não há nada mais impressionante do que observar os bebês extasiados enquanto exploram o mundo ao seu redor pela primeira vez. A alegria e a emoção preenchem seus sentidos quando eles experimentam a novidade e desenvolvem uma conexão profunda com o ambiente e com eles mesmos.

Independentemente da sua posição sobre esse assunto, deixar seu filho descalço em ambientes externos pode lhe trazer muitos benefícios.

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Aprendendo a se levantar

Seu bebê dominou a arte de sentar e engatinhar? Então ele provavelmente estará pronto para se levantar sozinho em breve! Aprender a se levantar será um marco importante para que o seu bebê consiga, mais tarde, dar seus primeiros passos.

Antes que seu bebê aprenda a se levantar, ele precisará ganhar força muscular e coordenação, bem como saber rolar e sentar. Quando ele já tiver dominado essas habilidades, ele estará pronto para se levantar, o que exigirá mais força muscular nas pernas, para que ele aprenda a dobrar os joelhos e seja capaz de sustentar seu peso.

Quando meu bebê irá aprender a se levantar?

Por volta dos 4 a 7 meses, você notará que seu filho passará mais tempo tentando se sentar, e esse é um ótimo momento para ajudá-lo a tentar se levantar pela primeira vez. Quando ele estiver sentado, puxe-o pelos braços, e você notará que ele conseguirá se levantar, ainda que com muita ajuda e apoio. Por volta do sexto mês, é possível que o seu bebê consiga suportar o peso em seus pés e dobrar e esticar as pernas, como se estivesse agachando-se e levantando-se ativamente, então tente praticar isso em uma superfície dura, como o chão.

Entre 6 e os 9 meses, seu bebê poderá tentar ficar de pé, mas isso irá durar apenas alguns segundos, até ele cair para trás. Lembre-se de observar seu bebê durante essa fase; embora ele possa aprender a se levantar rapidamente, sentar novamente é uma outra questão. Você poderá encontrar o seu filho apoiado nos móveis, e até mesmo chorando por não saber como se sentar novamente. Ajude seu bebê nessa transição: em vez de sentá-lo novamente, ensine-o a dobrar os joelhos. Em seguida, incentive-o a tentar novamente, e tranquilize-o, dizendo que está tudo bem.

Perto de completar um ano, seu bebê provavelmente será capaz de se levantar sozinho, e estará pronto para dar os primeiros passos. Lembre-se sempre de que os bebês se desenvolvem em ritmos diferentes. Se estiver preocupada com o desenvolvimento físico do seu bebê, lembre-se de conversar sobre isto com o seu pediatra.

Como posso ajudar meu filho a aprender a se levantar?

  • Forneça móveis seguros para ele se apoiar. Lembre-se de que o seu filho tentará se apoiar em qualquer coisa que ele puder alcançar, portanto, certifique-se de que a mobília em sua casa seja robusta o bastante para ele se segurar sem cair. Evite acidentes, mantendo a sua casa segura para o seu bebê.
  • Use as escadas para ensiná-lo a equilibrar. Aprender a se levantar é uma questão de confiança e equilíbrio! A altura de um degrau é perfeita para ele praticar. Coloque seu bebê sentado ao lado de um degrau e incentive-o a se levantar utilizando a borda do degrau. Certifique-se de monitorar essa atividade o tempo todo.
  • Coloque os brinquedos dele em um lugar alto. Incentive seu bebê a se levantar, colocando alguns brinquedos no sofá. Quando ele se levantar apoiando-se no sofá, ele ficará tão intrigado com o brinquedo, que permanecerá em pé por um bom tempo, o que o ajudará a praticar o equilíbrio.
  • Balance seu bebê para cima e para baixo. Coloque seu filho em pé na sua frente, para que ele possa flexionar e estender as pernas, como se estivesse agachando-se e levantando-se enquanto você segura as mãos dele. Essa atividade é divertida tanto para você quanto para o seu bebê, e o ajudará a fortalecer os músculos das pernas e aprender a dobrar os joelhos.

Como desenvolver o senso de autonomia

Como os bebês desenvolvem a autoconsciência? Quando essa percepção ocorre? O seu filho se reconhece no espelho? Essa é apenas uma parte de um processo muito mais complexo.

Pesquisas demonstraram que, a partir do momento em que nascem, os bebês já têm consciência de seus próprios corpos. A consciência corporal é uma habilidade fundamental, que permite que uma pessoa se distingua das outras. Desde o nascimento, os bebês são expostos a informações relacionadas a quem eles são – eles podem tocar seus rostos e corpos e exercer sua influência no mundo ao seu redor.

“O sentido de individualidade começa no nascimento, mas as crianças não expressam a “ideia de Eu” até completarem aproximadamente 18 meses.” – (Ross, Martin & Cunningham, 2016).

Na segunda metade do primeiro ano do seu bebê, ele começará a reagir ao nome dele. No começo, ele pode simplesmente parar para ouvi-la e focar o olhar em sua direção enquanto você chama por ele. Mais tarde, já perto do seu primeiro aniversário, seu filho reagirá virando-se, engatinhando ou até mesmo dando alguns passos em sua direção!

É perto do segundo aniversário que as crianças desenvolvem um senso de si mesmas – quando elas conseguem pensar em si mesmas a partir do ponto de vista de outra pessoa. Uma indicação disso é quando elas começam a se reconhecer em um espelho ou em uma fotografia – a maioria das crianças consegue fazer isso por volta dos 18 meses.

Para verificar se o seu filho consegue se reconhecer no espelho, você pode fazer um pequeno experimento em casa. Sem ele saber, coloque uma marca na testa do seu filho. Por exemplo, você pode beijá-lo quando estiver usando um batom de cor forte. Então, deixe que seu filho olhe para o próprio reflexo no espelho – se ele tocar a testa, isso indica que ele reconhece que a imagem no espelho é dele.

Você também pode perceber o desenvolvimento da autoconsciência do seu filho por meio da ampliação do vocabulário dele – especialmente pelo uso de palavras autorreferenciais e possessivas, como “eu” e “meu”. Essas palavras fazem parte do vocabulário do seu filho?

Para ajudar seu filho a criar uma autoimagem positiva, você deve deixá-lo desenvolver-se de uma maneira que esteja em sintonia com seus talentos e sua personalidade. Respeite a individualidade do seu filho para que ele adquira autoconfiança e possa assumir com entusiasmo os desafios da vida.

Como criar uma criança solidária

Em um mundo cheio de conflitos, pais e cuidadores esperam que seus filhos cresçam sendo gentis e educados com os outros. Porém, será que existe algo que possamos fazer para ensinar nossos filhos a serem solidários? Como as crianças podem aprender a ter consciência sobre as circunstâncias dos outros?

A solidariedade é diferente da empatia, pois envolve ação, ou seja, ao invés de apenas entender o que os outros estão sentindo, a solidariedade demanda alguma ação – isso faz com que as pessoas pensem em formas de aliviar o sofrimento de outra pessoa. Pessoas solidárias tendem a se envolver em comportamentos pró-sociais, como ajudar, confortar e compartilhar.

Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Toronto, da Universidade de Plymouth e da Universidade de Pavia (na Itália) analisou como crianças de diferentes idades compartilhavam. Neste estudo, 160 crianças de quatro e oito anos receberam seis adesivos que eram igualmente atrativos. Elas tiveram a oportunidade de compartilhar qualquer quantidade desses adesivos com uma criança representada em uma foto. A criança da foto foi exibida em diversas condições, que incluíam: “ela é uma criança carente” (“ela está triste”, “ela não tem brinquedos”) e “ela não é uma criança carente / condição neutra” (“ela tem 4 ou 8 anos de idade, assim como você”).

Os pesquisadores descobriram que as crianças tinham a tendência de compartilhar mais com a criança “carente”. As crianças de 8 anos compartilharam, em média, 70% de seus adesivos com a criança “carente”, e 47% com a criança “neutra”, enquanto as de 4 anos compartilharam apenas 45% de seus adesivos com as crianças “carentes”, e 33% com as crianças “neutras”.

A grande questão é: por que as crianças de 8 anos compartilham mais? A resposta está na crescente capacidade das crianças de se colocarem no lugar dos outros. Nesta idade, além de se preocuparem com os outros, as crianças são capazes de entender as circunstâncias deles, o que pode aumentar comportamentos sensíveis, como ajudar e compartilhar.

As crianças podem demonstrar empatia emocional desde cedo, mas, à medida que elas desenvolvem a habilidade de colocar as coisas em perspectiva, elas tendem a apresentar níveis mais altos de solidariedade. Por exemplo, reconhecer que os outros podem ter desejos, experiências e emoções diferentes, e que isso tudo está relacionado ao ponto de vista de cada um. Neste estudo, a decisão da criança de 8 anos de idade de compartilhar foi conduzida pela solidariedade, levando em consideração as informações a respeito das circunstâncias da criança.

Em outro estudo, o pesquisador Brad Farrant descobriu que crianças com idades entre 4 e 6 anos demonstraram mais atitudes de apoio e carinho quando suas mães as incentivaram a ver as coisas sob a perspectiva de outra criança. Em outras palavras: envolver-se em conversas com seu filho sobre as necessidades, os sentimentos e os desejos dos outros pode ajudá-lo a desenvolver a solidariedade!

Aqui estão 5 dicas que podem ajudar seu filho a desenvolver solidariedade pelos outros:

  1. Use livros para iniciar uma conversa sobre os comportamentos, as escolhas e as motivações dos personagens. Tente fazer perguntas abertas, como “Por que você acha que ele se comportou dessa maneira?” ou “Como a escolha dele impactou outras pessoas?”.
  2. Ajude seu filho a verbalizar seus próprios sentimentos, para que ele possa aprender a identificar essas emoções nos outros.
  3. Ajude-o a encontrar suas semelhanças com os outros antes de apontar as diferenças.
  4. Brinque de “faz-de-conta” com o seu filho e incentive-o a se colocar no lugar de outra pessoa.
  5. Ajude seu filho a perceber que ele pode trazer alegria ou conforto a outra pessoa!

Os benefícios do método “Canguru” para o desenvolvimento de bebês prematuros

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 15 milhões de bebês prematuros nascem todos os anos. Um bebê é considerado prematuro quando nasce antes da 37ª semana de gestação. Este número tende a aumentar em países de baixa renda. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, os bebês que nascem prematuramente têm maior risco de sofrer de problemas respiratórios, deficiências intelectuais, entre outros problemas. Várias dessas vidas estão em risco devido à falta de intervenção, de recursos e de cuidados intensivos. No entanto, foi constatado que manter contato físico com os pais durante várias horas ao dia pode ajudar esses bebês.

O método “Canguru” consiste em carregar o bebê mantendo um contato direto com o corpo materno. As costas do bebê devem ser cobertas com uma manta ou cobertor para que ele permaneça aquecido. Este método possui o nome “Canguru” porque simula a forma como os cangurus carregam os filhotes em suas bolsas. Vários estudos comprovaram que esse método estimula o desenvolvimento saudável dos bebês prematuros, e pode até salvar as vidas dos que estão em risco.

Ruth Feldman, professora de psicologia da Universidade de Bar-Ilan, estudou os efeitos do método “Canguru” a longo prazo. O estudo comparou o desenvolvimento de crianças que tiveram contato com o método a crianças que apenas ficaram na incubadora. Aos 10 anos de idade, as crianças que usufruíram desse método dormiam melhor, tinham uma função cerebral mais eficiente e uma capacidade de raciocínio superior. Os resultados sugerem que o método “Canguru” impacta positivamente o controle do comportamento. Além disso, outros estudos descobriram que o método ajuda os bebês prematuros a estabilizarem seus sinais vitais, melhorando a qualidade de seu sono e provocando um aumento de peso. Ele também pode ajudá-los a permanecer por menos tempo na incubadora e a se recuperar mais rapidamente.

A prática do método “Canguru” beneficia não só o bebê, mas também a mãe. Em outro estudo, mulheres que utilizaram o método relataram uma relação mais próxima com seus filhos, em comparação com as mães que não o utilizaram.

Por que o método funciona? Os estudos demonstram que o desenvolvimento cerebral e de certos sistemas corporais, como a frequência cardíaca, são sensíveis à estimulação do contato materno. Quando os bebês nascem prematuramente, o desenvolvimento desses sistemas é interrompido. De certa forma, o método “Canguru” simula o ambiente do útero, proporcionando o calor e o contato materno que os bebês em desenvolvimento normalmente recebem neste ambiente.

Hoje nós sabemos que o contato físico com um bebê, especialmente um prematuro, é fundamental para um desenvolvimento físico e mental saudável. Inúmeros estudos mostram que o calor e o contato humano ajudam os bebês a se desenvolverem mais rapidamente, e podem até salvar suas vidas. Devido aos benefícios obtidos com o uso desse método, os especialistas recomendam sua prática para todos os bebês, independentemente de serem ou não prematuros.