O momento do desmame pode variar muito, seja por idade, desinteresse do bebê ou opção da mãe, e sempre traz muitas dúvidas para a mãe.

Desmamar é o processo de parar de alimentar o bebê com o leite materno, que começa com a introdução alimentar e se conclui com a completa interrupção da amamentação. A verdade é que há muitas razões envolvidas na decisão de parar de dar o peito ao seu filho, seja ele bebê ou até mais crescidinho, incluindo alguns fatores como a volta ao trabalho, o desinteresse do bebê ou uma nova gravidez.

Justamente porque cada mãe e seu bebê vivem em um contexto único e o ideal é que ambos estejam prontos para o desmame, surgem muitas questões: Quando? Como? Quais os sinais de maturidade que o seu bebê dá? Quais são as formas de desmame? E se eu quiser continuar amamentando?

Enfim, como esse assunto rende muita conversa, elaboramos este post com perguntas e respostas sobre o tema para ajudar você nesse processo. Confira!

Como saber se meu bebê está pronto para o desmame?

Embora o mais indicado seja amamentar a criança pelo menos até os dois anos de idade, entende-se cada família vive um contexto e que o melhor momento é quando a mãe e o bebê estiverem prontos. No entanto, antes de um ano, na maioria dos casos, seu bebê pode não estar pronto, mesmo que ocorra um desinteresse por parte dele. Isso pode ser causado pelo uso de bicos artificiais, pela mudança de sabor ou volume, devido a uma nova gravidez, resfriado ou virose, dentição, entre outros motivos. Em geral, a falta de interesse tende a ser temporária e não precisa ser confundida com desmame natural.

Assim, alguns sinais que seu bebê pode dar de que está maduro o suficiente para o desmame são:

  • aceitar bem uma grande variedade de alimentos;
  • aceitar outras formas de consolo para se acalmar;
  • aceitar não mamar em determinadas ocasiões e locais;
  • conseguir espaçar mais as mamadas, diminuindo a frequência com que solicita o peito;
  • preferir outras atividades, como brincar e correr, em vez de mamar;
  • estar mais seguro em relação à mãe, não demonstrando tanta ansiedade de separação, por exemplo.

Quando é indicado iniciar o desmame?

Como já explicado, o início do desmame se dá quando o primeiro alimento sólido é ofertado ao bebê, o que costuma acontecer por volta dos seis meses de idade. No entanto, a recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde) é que a amamentação continue como o alimento principal do seu bebê até um ano. Depois disso, ele pode servir como alimentação complementar até os dois anos ou mais.

Um desmame natural, comandado pela criança, em geral, ocorre entre os 2 e os 4 anos. Porém, muitas vezes isso não é possível, devido a uma necessidade ou desejo da mãe. Nesse caso, o indicado é que o processo seja acompanhado pelo pediatra ou por um profissional especialista, e proposto de uma forma gradual para o seu filho.

Quais são o tipos de desmame?

Já mencionamos o desmame natural e o gradual, mas, na realidade, o desmame pode ser classificado em quatro categorias: natural, parcial, planejado ou gradual e abrupto. No primeiro, ocorre o autodesmame, um processo que parte da iniciativa do bebê, apenas conduzido pela mãe, espaçando horários, diminuindo o tempo das mamadas, etc.

Já o desmame parcial pode ser realizado para aliviar a carga materna ou conciliar com dificuldades na rotina, sem precisar realizar um desmame abrupto. Ocorre, por exemplo, quando a mãe retorna ao trabalho e amamenta apenas à noite ou quando opta pelo desmame noturno.

A forma planejada e gradual é a mais indicada quando a decisão parte da mãe, ou mesmo quando seu filho dá sinais, mas não há a intenção de aguardar o desmame natural. Esse processo consiste em ir reduzindo a frequência e o tempo das mamadas gradativamente, tentando oferecer outras alternativas de consolo e alimentos em momentos em que o bebê costuma solicitar o peito.

E por fim, o desmame abrupto não é indicado. O ideal é que seu bebê tenha segurança para esse momento e que a mãe evite problemas, como bloqueio do ducto mamário ou mastite. No entanto, se eventualmente ocorrer, em função de algum tratamento de saúde ou outra necessidade, sempre é bom buscar orientação.

Como fazer o desmame em bebês, crianças acima de um ano e maiores?

Como vimos, não há uma única forma ou padrão para se realizar o desmame. Porém, alguns passos para um desmame saudável podem facilitar o processo, conforme a idade e o contexto.

Bebês de até 12 meses

Com bebês menores de um ano, se for uma escolha materna, o desmame parcial já pode ser uma solução. Caso a opção seja mesmo pelo desmame, o mais recomendado é fazê-lo gradualmente, substituindo uma mamada de cada vez pelo copinho ou mamadeira, retirando uma a cada semana.

Será mais fácil se outra pessoa oferecer o leite ao seu bebê, de preferência sem você por perto, para que ele não sinta o cheiro. Além disso, algumas atitudes podem facilitar o processo, que podem ser tomadas em qualquer idade:

  • você estar segura de sua decisão;
  • o restante da família e as pessoas envolvidas com o seu bebê entenderem a complexidade do processo;
  • evitar outras grandes mudanças simultâneas, como desfralde, mudança de casa, nascimento de um irmão ou começo na escola;
  • ter paciência para as possíveis reações do seu bebê, como necessidade de mais atenção e choro;
  • ordenhar um pouco de leite para aliviar a pressão e evitar a mastite, pois, como a oferta é regulada pela demanda, aos poucos seu corpo produzirá menos até cessar.

Acima de 12 meses

Após um ano, já é possível adotar algumas táticas para o desmame diurno, como:

  • não oferecer o peito se seu filho não pedir, porém, sem negar caso ele peça;
  • tentar espaçar as mamadas, limitando horários e locais, por exemplo;
  • alterar a rotina, ocupando com atividades os momentos em que ele costuma demandar o peito, como na saída da escolinha;
  • oferecer distrações ou mesmo outros alimentos quando ele solicitar o peito;
  • encurtar o tempo da mamada ou adiá-la quando ele pedir, explicando que precisa terminar uma tarefa antes;
  • contar com o pai ou outros cuidadores sempre que possível, pois apesar da amamentação ser tarefa da mãe, o apoio de quem não pode amamentar é fundamental.

No caso do desmame noturno, algumas técnicas sugeridas são:

  • tentar mover seu filho para outra cama, caso tenha o costume de fazer cama compartilhada;
  • contar com a presença do pai na rotina do sono;
  • oferecer água no lugar do leite;
  • oferecer outras formas de consolo, como colo, música, carinho, etc.

Crianças maiores

Com crianças maiores, uma boa tática pode ser envolvê-las no processo, ou seja, tentar induzir um desmame natural. Combinar prazos, explicar que muitas crianças da sua idade já não mamam mais ou contar como a mamãe se sente são coisas que podem ajudar, além de todas as dicas anteriores.

E se eu quiser continuar amamentando?

Enquanto a mãe e seu bebê quiserem manter a amamentação, não há problema nenhum. Os benefícios do aleitamento materno duram pelo tempo que a amamentação durar. Mais cedo ou mais tarde, a própria criança liderará o processo. Cabe à mãe também se preparar para ele.

Assim como outras etapas do desenvolvimento infantil, o desmame não tem um tempo específico para acontecer. Muitos fatores devem ser considerados, além da maturidade da criança e da vontade da mãe. O importante é conciliar tudo isso em um processo que atenda às demandas de um e do outro, ocorrendo da maneira mais gentil possível com ambos.

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