O terrible two é uma fase na qual a criança se descobre como indivíduo e não sabe lidar com suas emoções, resultando nas famosas birras.

De repente, o seu bebê calminho parece que foi trocado por outro durante a madrugada; tem a mesma aparência, mas o comportamento está muito diferente. Birras, gritaria, choro e atitudes negativas são cada vez mais comuns, e você fica sem saber o que fazer. Isso está acontecendo por aí? Então, bem-vindo ao terrible two.

Essa fase dos primeiros anos do bebê realmente deixa muitos pais aflitos. No entanto, é preciso entender que ela é absolutamente normal. Todas as crianças passaram ou vão passar por ela, de maneira mais ou menos representativa.

Por isso, é fundamental estar por dentro do assunto para saber como lidar com o seu filho e apoiá-lo nesse momento. Neste post, falamos sobre este tema. Vamos lá?

O que é o terrible two?

O terrible two, em sua tradução literal, são os “terríveis 2 anos”, mas essa fase também é chamada de “crise dos dois anos” e de “adolescência do bebê”. Sabe aquela rebeldia do adolescente que acaba de sair da infância e está migrando para a vida adulta? É mais ou menos isso que acontece com os pequenos que, de uma hora para a outra, mudam os seus comportamentos.

Embora o termo se refira à fase dos 2 anos, o terrible two pode começar um pouco antes, com 18 meses, e terminar depois, por volta dos 34 meses. Isso porque tem mais a ver com o desenvolvimento do bebê do que propriamente com a idade.

Durante a crise dos 2 anos, as crianças passam a dizer “não” para tudo, sendo quase sempre do contra, não gostam de seguir orientações e se recusam a aceitar decisões. Como resultado, temos as famosas birras, que podem ser mais discretas ou aquelas escandalosas que deixam os pais de cabelos em pé.

Por que ele acontece?

Normalmente, essa fase ocorre devido ao fato de as crianças começarem a perceber que são indivíduos separados dos pais. Com isso, elas se sentem mais independentes e passam a testar os limites dos adultos. Para tal, começam a expressar suas preferências e seus desgostos o máximo que conseguem, como uma tentativa de afirmar sua individualidade.

Além do mais, as birras e os chiliques nada mais são do que a expressão das suas frustrações. As crianças ainda não podem ou não conseguem fazer tudo o que querem e não sabem lidar com essas limitações. Sendo assim, o choro, o grito e a raiva são formas que elas encontram para demonstrar o descontentamento com as situações.

Alguns pais podem pensar que a culpa é deles. Afinal, pode parecer que os “chiliques” são coisas de criança mimada. Se você se sente culpado, pode ficar tranquilo e aliviar a sua consciência. O comportamento considerado “inadequado”, nessa fase, é algo natural e nada tem a ver com a criação.

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Aliás, colocamos inadequado entre aspas porque esse comportamento pode parecer ruim na percepção de um adulto. Entretanto, se nos colocarmos sob a ótica de uma criança, podemos concluir que são apenas atitudes que refletem as transformações que o pequeno enfrenta nesse período.

Como ele ainda não tem a maturidade para reagir de uma maneira mais “comportada”, a forma que encontra para se expressar é por meio das birras e atitudes desafiadoras. Pense bem: se nós, adultos, já temos certa dificuldade para lidar com as emoções, imagine uma criança de 2 anos!

Quais os comportamentos mais frequentes nessa fase?

Como dissemos, alguns comportamentos são bem típicos da crise dos 2 anos, como choro, birra, verbalização do “não”, seletividade alimentar e má reação ao ser contrariado. Apesar de se tratarem de situações bem estressantes para os adultos, lembre-se de que também são para as crianças. Por isso, a palavra aqui é paciência.

É importante dizer também que nem todo “mau comportamento” deve ser visto como crise dos dois anos. Além do terrible two, os pequenos estão lidando com a aquisição de novas habilidades, o que também é algo que muda os seus padrões de como agir.

Por exemplo, uma criança que joga os brinquedos pela janela. Embora, em um primeiro momento, os pais possam achar que é um tipo de birra ou de “vingança”, pode ser apenas uma nova descoberta. Talvez, o baixinho só queira compreender o que acontece com os objetos naquela ocasião ou testar se eles se encaixam no buraco da janela.

Ou seja, pode ser algo saudável da curiosidade dele, não necessariamente um chilique. Aliás, é sempre importante diferenciar um do outro. Repreender a criança em uma situação dessas pode deixá-la confusa. Afinal, em sua cabeça, ela está somente testando suas habilidades.

Como lidar com o terrible two?

Muitos pais se sentem perdidos na hora de lidar com a crise dos 2 anos. Se você também se sente assim, saiba que não está sozinho. Nas ocasiões de maior estresse é que você deve agir com sabedoria. Afinal, você é a parte madura da relação com o seu filho.

Em vez de brigar, ameaçar e gritar, é o momento de você dar o exemplo e manter uma postura equilibrada, por mais que isso pareça difícil — existem situações que nos tiram do sério mesmo. Entretanto, respire fundo, reúna sua paciência e converse com calma.

Explique para a criança que você entende o que ela está sentindo e que pode ajudá-la a se acalmar. Outra maneira que pode dar certo é mudar o foco do interesse do pequeno para outra tarefa. A seguir, confira algumas dicas de como você pode agir com o seu filho durante o terrible two.

  • mantenha uma rotina e evite deixá-lo agitado nos horários dos cochilos ou com fome;
  • sempre que possível, ofereça opções, mas com limites. Por exemplo, 2 possibilidades de roupas para escolher ao se vestir;
  • conversem sobre sentimentos e emoções e sugira formas sobre como lidar com eles;
  • mantenha a calma para dar o exemplo de que é assim que se deve agir, mesmo em situações adversas;
  • utilize um aplicativo de desenvolvimento infantil para saber como identificar a crise dos 2 anos e entender como lidar melhor com ela.

O terrible two é uma fase pela qual toda criança passa, cedo ou tarde, com maior ou menor intensidade. Ela é o período em que os pequenos estão se conscientizando de sua própria individualidade, que traz um misto de emoções de difícil compreensão para tão pouca experiência de vida. Portanto, somos nós, adultos, que devemos ter a empatia e oferecer todo o suporte para atravessar essa crise.

Gostou de saber mais sobre a crise dos 2 anos? Compartilhe esse post com outros pais, para que eles também possam aprender a lidar com ela!